Acordar pela manhã sentindo o cheiro do Café que está no bule e morrer de medo de abrir os olhos. Se revira pela cama colocando o cobertor sobre o rosto, ignorando a família que chama pro Café Matinal. Ouvindo a mãe cantarolar enquanto arruma a gravata do Pai sobre o Paletó. Os avós assistem o Telejornal das 7h e murmuram sobre o assunto. Continua escondida no cobertor em silêncio. As Irmãs entram no quarto e escalam a cama:
— Estamos a sua espera. — saem pela porta.
Tira o cobertor do rosto e abre os olhos com cautela. Ao olhar para o lado se depara com o vazio. Uma lágrima cai pela lateral do olho esquerdo. Se levanta e abre o guarda roupa, escolhe uma blusa branca e um shorts. Afasta a cortina e abre a Janela com cuidado. É o Mar, fica o observando por alguns minutos. Lágrimas correm em sua face. Com a voz tremula, diz baixinho:
— Eu era tudo que você sempre quis. Mesmo triste eu estava feliz. Depois de você, os outros são os outros.
Procura o telefone por baixo dos lençóis, ao achar, digita o número que sabe de có. Chamando. Alguém atende. As lágrimas rolam novamente sobre sua face, ela pensa em dizer: “Sinto sua falta”, mas logo volta a realidade. Diz, com a voz trêmula:
— Sabe como é precisar de alguém?
Em seguida desliga o telefone, seca as lágrimas e sai pela porta. Ao chegar na sala se depara com sua Irmã menor vindo em sua direção, ela pede que a coloque no colo. Ela faz isso. Ela a abraça e diz baixinho:
— Você estava chorando?
— Porque?
— Seus olhos estão... — para por um momento para lembrar da cor — vermelhos.
— Ah... — passa os dedos sobre os olhos — Pronto.
— Alguém morreu?
— Não.
— Então não chore. Mamãe me disse que só podemos chorar quando alguém morre. E quando estamos com vontade de ir ao banheiro. Enquanto houver vida, há esperança. — Lhe dá um beijo sobre a bochecha — agora me coloque no chão.
— Obrigado — sussurra baixinho sobre o ouvido da irmã.
Dá um beijo nos Avós e sai pela porta principal. Encontra alguém no elevador. É ele.
— Me desculpe — ele diz olhando nos olhos dela — Não queria te magoar. Quis ser sincero. Eu te adoro.
— E eu te amo, sentiu a diferença?
Sai pelo elevador com uma lágrima rolando pela face, mas logo lembra da irmã.
— Enquanto houver vida, há esperança — diz em tom alto pra si mesma.

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